Conhecer 350

Então, o que é o aquecimento global e qual é realmente o problema?

A ciência é clara: aquecimento global está acontecendo mais rápido do que nunca e nós seres humanos somos os responsáveis. O aquecimento é causado pela liberação na atmosfera dos chamados gases de efeito estufa. O gás de efeito estufa mais comum é o dióxido de carbono. Muitas das atividades que fazemos todo o dia como ligar as luzes, cozinhar, ou aquecer ou esfriar nossas casas dependem de fontes de energia como o carvão e petróleo que emitem dióxido de carbono e outros gases que retêm o calor na atmosfera. Isso é um problema grande porque aquecimento global desestabiliza o equilíbrio delicado que torna a vida possível neste mundo. Poucos graus de temperatura podem mudar completamente o mundo como nós o conhecemos, e ameaçam milhões de vidas. Mas não desista da esperança! Você pode ajudar a acabar com o aquecimento global contribuindo com a sua ação aqui no 350.org.

Em primeiro lugar, o que quer dizer este número 350?

350 é o número que os principais cientistas dizem ser o limiar seguro para o dióxido de carbono – medido em “Partes Por Milhão” na nossa atmosfera. 350 PPM – é o número ao qual a Humanidade precisa voltar o mais cedo possível para evitar uma mudança climática galopante.

Dado que já ultrapassamos 350, estamos todos condenados?

Não. Somos como o paciente que vai ao médico e sabe que está com excesso de peso, ou que seu colesterol está alto demais. Ele não morre imediatamente, mas até mudar o seu estilo de vida e voltar para a zona segura, ele está com maior risco de ter uma ataque cardíaco ou um derrame cerebral. O planeta está na sua zona de perigo porque temos derramado demasiado carbono na atmosfera, e estamos começando a ver indícios de problemas sérios: calotas de gelo derretendo, secas que se espalham rapidamente. Precisamos voltar para a zona de segurança o mais depressa possível.

Como criar a mudança política que nos conduza de novo ao caminho dos 350?

Precisamos de um acordo internacional para reduzir rapidamente as emissões de carbono, e 2009 pode ser a nossa melhor hipótese. As Nações Unidas estão trabalhando um tratado global de clima, que deverá ficar completo em Dezembro de 2009 num plenário em Copenhagen, na Dinamarca. Mas os atuais planos para este tratado são muito brandos para nos restituir a segurança. Este tratado tem que dar ao carbono um preço suficientemente elevado para que o deixemos de usar tanto. Também tem de garantir aos países pobres uma oportunidade justa para se desenvolverem. Este ano podemos criar um movimento de bases ligado através da Internet e ativo no mundo inteiro. Podemos responsabilizar os nossos políticos a criarem um acordo que seja forte, igualitário, e que tenha por base os dados científicos mais recentes. Se o fizermos, podemos voltar a trazer o mundo ao caminho dos 350, e de volta à segurança climática. Não será fácil, por isso é que precisamos de toda a ajuda que pudermos arranjar.

Como vamos voltar para 350?

Precisamos de um acordo internacional imediato para reduzir as emissões. A Organização das Nações Unidas está trabalhando sobre um novo tratado, que deverá ser concluído em Dezembro de 2009 numa conferência em Copenhaguen, Dinamarca. Mas os planos atuais são demasiado débeis para nos fazer regressar à segurança. Este tratado precisa pôr um preço sobre carbono que seja suficientemente alto para paramos de usá-lo tanto. E precisa também certificar-se de que seja assegurada uma oportunidade justa aos países pobres para se desenvolverem.

Como vamos realmente reduzir emissões de carbono para chegar a 350?

Não se iluda – voltando para 350 significa uma transformação do nosso mundo. Significa construir painéis solares em vez de usinas elétricas a carvão; significa plantar árvores em vez do abate da floresta tropical; significa aumento da eficiência e redução do desperdício. Chegar a 350 significa desenvolver mil soluções diferentes – as quais se tornarão mais fáceis se tivermos um tratado global baseado na ciência atual e construído em torno dos princípios de equidade e justiça. Para conseguir um tratado assim, precisamos de um movimento de pessoas que se preocupem suficientemente com o nosso futuro compartilhado para se envolver e fazer suas vozes ouvidas.

Vai dar certo? Os líderes mundiais vão ouvir?

Somente se fizermos bastante barulho.Se pudermos converter este número no mais conhecido através do planeta, este mero fato vai exercer pressão real nos negociadores. É necessário que todos entendam que 350 marca ou sucesso ou fracasso para essas negociações sobre o clima. Não é uma luta fácil – o outro lado tem o poder da indústria de combustíveis fósseis. Mas achamos que a voz de pessoas comuns será ouvida, se for suficientemente forte. É essa toda a nossa tarefa – fazer muito barulho para que não possamos ser facilmente ignorados.

De onde veio este número 350?

Dr. James Hansen, de NASA, a agência do espaço nos EUA, tem pesquisado o aquecimento global a mais tempo do que basicamente toda a gente. Ele foi o primeiro a depor perante o Congresso dos EUA, em Junho do ano 1988, afirmando que o aquecimento global era real. Ele e seus colegas têm usado observação do mundo real, modelagem computacional, e muitos dados sobre climas do passado para calcular o que constitui quantidades perigosas de carbono na atmosfera. A Administração Bush tem tentado impedir o Hansen e a sua equipe de falar publicamente, mas a sua análise tem sido elogiada por outros cientistas, e por especialistas como o ganhador do Premio Nobel Al Gore. O texto completo do paper de James Hansen pode ser lido aqui.

É verdade que os Estados Unidos são a origem maior do problema? E a China e a Índia?

É – os EUA têm sido produzindo mais CO2 do que qualquer outro país, e chefia o mundo industrializado em emissões per capita. Embora a China agora produza a mesma quantidade de CO2 por ano, os EUA ainda produzem muitas vezes mais carbono por pessoa do que a China, a Índia, e a maioria dos outros paises. E os EUA têm bloqueado a ação internacional por muitos anos. Essa é a razão porque nós através da 350.org temos trabalhado tanto para mudar a política americana – organizamos mais de 2.000 manifestações em todos os 50 estados em 2007, e ajudamos a estimular o Congresso a aprovar as primeiras leis reais para reduzir CO2. Agora precisamos da ajuda do mundo todo para persuadir tanto os EUA como a ONU a continuar o processo. China e Índia e o resto do mundo desenvolvido precisam ser envolvidos. Mas dado que em termos per capita usam muito menos energia do que o Oeste, o têm feito por períodos de tempo muito mais curtos, e usam combustíveis fósseis para acabar com a pobreza, o seu envolvimento precisa ser diferente. O Oeste vai precisar usar uma parte pequeníssima da riqueza que acumulou enchendo a atmosfera com carbono para transferir tecnologia do norte para o sul para que estes paises possam desenvolver sem queimar todo o seu carvão. Um recurso ótimo para pensar em estas questões é a composição preparada pelo Greenhouse Rights Network (Rede de Direitos de Estufa), e pode ser encontrada aqui.

350 é apenas um número. Não seria melhor “Emergência de Clima” ou “Energia Limpa Agora” são melhores como chamada a ação?

350 entende-se em línguas – algarismos são das as poucas coisas no mundo que a maioria de pessoas reconhecem. Mais do que isso, 350 nos avisa o que precisamos fazer. Não é chato; é o número mais importante no mundo. Ele tem, quando entendido corretamente, a receita para um mundo bem diferente: um mundo que se move de combustíveis fosseis para tecnologias mais razoáveis, comunidades mais saudáveis, e uma sociedade global que seja verdadeiramente eqüitativa.

Porque mais uma organização – já há muita coisa acontecendo!

É verdade, há muitos indivíduos e organizações trabalhando diligentemente para resolver a crise climática. Isso é ótimo – quer dizer que não precisamos começar o nosso movimento do nada porque já está fervilhando por todo o mundo.A nossa esperança é que possamos chamar a atenção para o trabalho das organizações existentes, realçando o trabalho incrível de todos e trazendo estes muitos esforços juntos para uma ação poderosa e unificada – uma chamada que seja global, científica, e específica. Fornecendo uma plataforma comum com o alvo de 350, podemos produzir um total que seja verdadeiramente maior do que a soma das suas partes, um movimento diverso que fale com uma voz coletiva.

E quanto a todas as outras metas?

A ciência climática é um campo em rápida evolução. Há alguns anos trás, os ativistas climáticos tinham esperança que metas da ordem das 450 ppm ou uma subida da temperatura de 2º centígrados pudessem ser “níveis seguros” para termos como objetivo. Quem nos dera que tivessem razão – o mundo teria em mãos um trabalho muito mais fácil. No entanto, os dados e modelos climáticos mais recentes convenceram os cientistas que as outras metas falham o alvo, ou seja, que 350 é o limite máximo para a segurança climática. Para muita gente em todo o mundo, isto é uma surpresa – à medida que os glaciais derretem e as florestas ardem, torna-se claro que os efeitos das alterações climáticas já estão sendo sentidos. Os modelos científicos limitam-se a afirmar aquilo que vemos à nossa volta, e quanto mais tempo permanecermos acima dos 350 mais tempo estamos todos na zona de perigo. Pessoas e organizações de todo o mundo estão se unindo em torno da meta dos 350. Em cada canto do planeta, estamos nos juntando em torno de um apelo comum à ação. E está dando resultado. O grito de apelo dos 350 é uma mensagem simples capaz de rasgar o ruído de fundo, responsabilizar os nossos líderes e motivar o planeta para uma ação rápida e ousada. Veja na nossa página “Messengers” e no nosso Blog políticos, cientistas e outros colaboradores importantes que aderiram à meta dos 350.

Porquê 24 de Outubro?

O timing aqui é crucial – há uma curta janela temporal durante a qual poderemos ter a maior influência na política internacional de clima. Demasiado cedo seríamos irrelevantes, demasiado tarde perderíamos a nossa hipótese de ter uma real influência. Embora as conversações finais em Copenhagen sejam só em Dezembro, os governos estarão definindo as suas posições finais antes destas reuniões. O final de Outubro pode muito bem ser a última hipótese que temos antes dos países darem as suas ordens finais a toda a gente que vai negociar nas reuniões de clima das Nações Unidas. Com ações criativas acontecendo pelo mundo todo, e fotos desses eventos aparecendo online, na mídia, e nas agendas dos políticos, iremos mudar aquilo que estes negociadores julgam poder conseguir mesmo antes de tomarem as decisões importantes no tratado da ONU. Neste momento a maioria deles conhece os dados científicos das 350 ppm, mas não consideram uma meta politicamente possível. Em 24 de Outubro, vamos mostrar-lhes que não só é possível, mas que é o que toda a gente em todo o mundo lhes exige.

Como podemos ajudar?

Envolva-se no 24 de Outubro! Precisamos de eventos e ações de todo o tipo e de todos os tamanhos em Outubro, e você não precisa ter experiência em organizar coisas deste gênero para conseguir que isto funcione. Clique aqui para se inscrever. Precisamos também de ajuda para espalhar a mensagem acerca do 350 – online, em revistas e jornais, em pôsteres, arte, música, pela rádio ou, se calhar o meio mais eficaz de todos, dizendo aos seus amigos. Também temos necessidade constante de voluntários, por isso verifique as oportunidades disponíveis, caso esteja interessado. Muito obrigado por formar parte deste projeto global de mudança.